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Abordagem deve ser sistemática
A eficiência energética é um tema que
está cada vez mais na ordem do dia. Em que medida as soluções
da Tecmic vão ao encontro desta preocupação dos
operadores? Há algum projecto que se destaca?
Miguel Rodrigues - A Tecmic foi pioneira absoluta no acolhimento deste
tipo de preocupações do mercado, mesmo antes da volatilidade
nos preços da energia colocarem todo o mundo em alerta. Inicialmente,
existiam barreiras técnicas que obrigavam à instalação
de sensores, dispendiosos e intrusivos nos veículos. Com a evolução
tecnológica dos veículos, passou a ser possível aceder à informação
de uma forma ainda que tecnologicamente complexa, menos intrusiva e sobretudo,
menos dispendiosa. Contudo, a pedra de toque não é apresentar
ao operador os consumos, em tempo real ou agregados.
Isso, infelizmente muitas vezes, é-lhe evidente nas contas! Importante é recolher,
tratar e apresentar informação que permita uma análise
causa/efeito, que tome em conta o perfil de condução, a variação
da orografia em que a viatura circulou e o desempenho do veículo
e daí sim, permitir adequar técnicas de formação
no sentido de encontrar e aplicar práticas de condução
que permitam uma melhoria efectiva do desempenho. Neste campo vamos um pouco
mais além, na medida em que o tipo de indicadores e análises
causa/efeito que realizamos trabalham em três eixos: eficiência
energética, segurança e conforto. Com esta plataforma, além
do operador poder gerir o desempenho do veículo, poderá suportar
a gestão de mérito dos motoristas num mecanismo sistemático,
uniforme, que permite potenciar uma cultura de meritocracia numa classe
em que é por vezes difícil gerir o desempenho e a motivação.
Clientes como a CARRIS e o Grupo Luis Simões são dois exemplos
de empresas que aderiram à nossa abordagem, que também suscitou
interesse de associações do sector, a ponto de nos convidarem
para colaborarmos em projectos.
Os grandes centros urbanos concentram sempre maior
atenção
ao nível do transporte público de passageiros. Esta ideia é correcta
ou há soluções igualmente eficientes que possam ser
aplicadas por operadores e/ou câmaras municipais de menor dimensão?
Esta ideia é correcta para algumas das propostas de valor de sistemas
de apoio à exploração clássicos, como a gestão
em tempo real do complexo problema da regularidade, devido à envolvente
da operação (dimensão e geometria das cidades, trânsito,
etc.). No entanto, para cidades de menor dimensão o desafio é outro.
Normalmente, as linhas urbanas são implementadas quase como uma obrigação
social, para não dizer política em muitos casos, sem que haja
medidas efectivas para gerar procura e levar a uma conversão modal
do transporte individual (ou mesmo pedonal!) para o transporte público.
Um aspecto fundamental é a informação aos passageiros,
que encontra nas cidades de menor dimensão suportes de informação
camarários muitas vezes subaproveitados (painéis de informação,
sobretudo no centro das cidades, portais WEB). Claro que a resposta que
muitas vezes ouvimos, é que a operação é de
reduzida dimensão e tanto na perspectiva da complexidade, como do
custo, “não justifica”. Ora isto é um erro. Porque
não partilhar um sistema? Porque não associar vários
municípios, que não têm sequer que ser próximos
geograficamente, para juntos investirem e colherem os benefícios
de um sistema que, por um lado, ajuda a gerir a operação de
forma rigorosa e, mais importante, a informar convenientemente os potenciais
passageiros? Já para não falar da enorme visibilidade que
o serviço de transporte público como um todo pode ganhar.
Do
ponto de vista funcional e em termos de soluções, quais
são os desenvolvimentos que se podem esperar neste domínio?
Na Tecmic estamos permanentemente a desenvolver os nossos sistemas e
no plano conceptual temos imensas ideias em teste de conceito, mas que
para já permanecem nesse plano conceptual, sem que queiramos expor ao
mercado antes de estarem “maduras”. No entanto, há módulos
recentes do XTraN Passenger que são novidades efectivas. Além
do módulo de gestão de dados da condução de
que falei atrás (Driving Monitor), temos a gestão da procura
(contagem de passageiros) e a informação embarcada, um mix
entre informação do serviço de transporte e conteúdos
multimédia genéricos – um conceito de TV ‘indoor’ mas
mais evoluído e adaptado aos constrangimentos que se colocam num
ambiente embarcado, especialmente quando se trata de autocarros (só quem
dispõe de soluções embarcadas instaladas, é que
sabe). Mas há mais e de forma sintética, diria que estamos
numa fase de expansão da oferta muito interessante para os clientes
que trabalham connosco.




