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Informática embarcada
Abordagem deve ser sistemática
Transporte Público 2009-01


Miguel Rodrigues, Director de Área de Negócio de Transportes de Passageiros da Tecmic, fala-nos da importância dos sistemas de informática embarcada para a adequação e melhoria das práticas de condução no transporte de passageiros


A  eficiência energética  é um tema  que está cada vez mais na ordem do dia.   Em que medida as soluções da  Tecmic  vão ao encontro desta preocupação  dos operadores? Há algum projecto que se destaca?
Miguel Rodrigues - A Tecmic foi pioneira absoluta no acolhimento deste tipo de preocupações do mercado, mesmo antes da volatilidade nos preços da energia colocarem todo o mundo em alerta. Inicialmente, existiam barreiras técnicas que obrigavam à instalação de sensores, dispendiosos e intrusivos nos veículos. Com a evolução tecnológica dos veículos, passou a ser possível aceder à informação de uma forma ainda que tecnologicamente complexa, menos intrusiva e sobretudo, menos dispendiosa. Contudo, a pedra de toque não é apresentar ao operador os consumos, em tempo real ou agregados.
Isso, infelizmente muitas vezes, é-lhe evidente nas contas! Importante é recolher, tratar e apresentar informação que permita uma análise causa/efeito, que tome em conta o perfil de condução, a variação da orografia em que a viatura circulou e o desempenho do veículo e daí sim, permitir adequar técnicas de formação no sentido de encontrar e aplicar práticas de condução que permitam uma melhoria efectiva do desempenho. Neste campo vamos um pouco mais além, na medida em que o tipo de indicadores e análises causa/efeito que realizamos trabalham em três eixos: eficiência energética, segurança e conforto. Com esta plataforma, além do operador poder gerir o desempenho do veículo, poderá suportar a gestão de mérito dos motoristas num mecanismo sistemático, uniforme, que permite potenciar uma cultura de meritocracia numa classe em que é por vezes difícil gerir o desempenho e a motivação.
Clientes como a CARRIS e o Grupo Luis Simões são dois exemplos de empresas que aderiram à nossa abordagem, que também suscitou interesse de associações do sector, a ponto de nos convidarem para colaborarmos em projectos.

Os grandes centros urbanos concentram sempre maior atenção ao nível do transporte público de passageiros. Esta ideia é correcta ou há soluções igualmente eficientes que possam ser aplicadas por operadores e/ou câmaras municipais de menor dimensão?
Esta ideia é correcta para algumas das propostas de valor de sistemas de apoio à exploração clássicos, como a gestão em tempo real do complexo problema da regularidade, devido à envolvente da operação (dimensão e geometria das cidades, trânsito, etc.). No entanto, para cidades de menor dimensão o desafio é outro. Normalmente, as linhas urbanas são implementadas quase como uma obrigação social, para não dizer política em muitos casos, sem que haja medidas efectivas para gerar procura e levar a uma conversão modal do transporte individual (ou mesmo pedonal!) para o transporte público. Um aspecto fundamental é a informação aos passageiros, que encontra nas cidades de menor dimensão suportes de informação camarários muitas vezes subaproveitados (painéis de informação, sobretudo no centro das cidades, portais WEB). Claro que a resposta que muitas vezes ouvimos, é que a operação é de reduzida dimensão e tanto na perspectiva da complexidade, como do custo, “não justifica”. Ora isto é um erro. Porque não partilhar um sistema? Porque não associar vários municípios, que não têm sequer que ser próximos geograficamente, para juntos investirem e colherem os benefícios de um sistema que, por um lado, ajuda a gerir a operação de forma rigorosa e, mais importante, a informar convenientemente os potenciais passageiros? Já para não falar da enorme visibilidade que o serviço de transporte público como um todo pode ganhar.

Do ponto de vista funcional e em termos de soluções, quais são os desenvolvimentos que se podem esperar neste domínio?
Na Tecmic estamos permanentemente a desenvolver os nossos sistemas e no plano conceptual temos imensas ideias em teste de conceito, mas que para já permanecem nesse plano conceptual, sem que queiramos expor ao mercado antes de estarem “maduras”. No entanto, há módulos recentes do XTraN Passenger que são novidades efectivas. Além do módulo de gestão de dados da condução de que falei atrás (Driving Monitor), temos a gestão da procura (contagem de passageiros) e a informação embarcada, um mix entre informação do serviço de transporte e conteúdos multimédia genéricos – um conceito de TV ‘indoor’ mas mais evoluído e adaptado aos constrangimentos que se colocam num ambiente embarcado, especialmente quando se trata de autocarros (só quem dispõe de soluções embarcadas instaladas, é que sabe). Mas há mais e de forma sintética, diria que estamos numa fase de expansão da oferta muito interessante para os clientes que trabalham connosco.

Imagem do Transporte Público