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O conhecimento com pernas
25 anos de choque tecnológico no ensino e indústria. 80
empresas da 3.ª vaga criadas em todo o país. É o INESC
em resumo
O INESC inaugurou no Portugal pós-25 de Abril a galeria das instituições privadas sem fins lucrativos e de utilidade pública na área da I&D, mas o seu modelo organizacional foi, de um modo simplista, colado à ideia de uma mera interface universitária para a transferência de tecnologia ou a criação de «start-ups» de base tecnológica por professores ou finalistas.
A marca de água do INESC é, assim, resumida pelo fundador: «É uma fábrica de conhecimento com pernas, é um processo de embutir conhecimento num chassis humano». Trocado por miúdos - a missão foi criar, a um ritmo mais acelerado, trabalhadores do conhecimento (usando a expressão do falecido Peter Drucker) para as áreas das telecomunicações e da computação através do entusiasmo pela I&D. Os projectos de I&D por objectivos eram o meio de fabricar esses «agentes de mudança» para a sociedade e o INESC um espaço físico aberto e menos formal para o fazer. Com uma prenda adicional, actuando como um «boomerang» dentro do próprio sistema de ensino superior. E com o FUNDETEC massificou a formação de tecnólogos (os tais técnicos intermédios de cuja falta todos os empresários e gestores se queixam) - cerca de 28000 - especializados nas novas áreas.
A adolescência do INESC provocou um choque tecnológico na altura. Os primeiros projectos criaram «uma cultura do digital» numa indústria e sociedade marcadas então pela cultura da engenharia electromecânica. A criação de uma central telefónica digital com «know how» português levaria, mais tarde, à criação do escritório electrónico nacional, o Elena, implantado nos CTT, uma solução que se internacionalizaria (ver foto). No Porto, o projecto SIFO lançaria a fibra óptica no cenário português, esforço inovador de que os filhos mais recentes são as aplicações de sensores ópticos em áreas tão diferentes como alertas sobre as estruturas edificadas ou o controlo da poluição. Foram dois começos de uma vaga de exemplos do INESC «inside», que daria origem a uma lista de 80 «start-ups» de base tecnológica, de que nomes como a SMD (hoje integrada na ParaRede), a Tecmic e a Nova Base são referências.
Três outros casos convivem connosco diariamente. A investigação no reconhecimento e síntese da fala gerou o 118 com que lidamos diariamente. O XTRaN - comercializado pela Tecmic - ajuda a gerir frotas, como a da transportadora Luís Simões, da PT, Correios de Portugal, Portucel, ACP e Carris. E o MONICAP é uma espécie de «caixa negra» que na nossa frota pesqueira já nos «salvou» na guerra do bacalhau com o Canadá.



