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O sector de sistemas de navegação
Cadernos de Economia – 01-07-2005


Da próxima vez que andar por uma das nossas cidades, como por exemplo, Lisboa, realize o seguinte exercício: apanhe um autocarro da Carris e observe em seu redor: um camião dos Correios reparte as encomendas aos diferentes pontos, uma das carrinhas de segurança da Esegur, da Strong Segurança ou do Banco de Portugal realiza as entregas de valores nos bancos, há um veículo avariado a ser desempanado por um veículo do ACP, um camião do Grupo Luís Simões realiza a entrega dos produtos no seu supermercado, enquanto os bombeiros atravessam a cidade para apagar um fogo e a polícia municipal patrulha as redondezas da escola.


Todos as entidades referidas acima apoiam as suas actividades diárias em sistemas tecnologicamente avançados e onde a oferta nacional é muito competitiva. A TECMIC é uma empresa de referência neste sector de sistemas de navegação e gestão de frotas, meios e ocorrências.

As Origens
A empresa iniciou sua actividade em 1988, fruto de um processo de transferência de tecnologia de um Grupo de I&D (do INESC) para a indústria. Apoiada no trabalho de uma equipa de investigadores, começou por ser um centro de desenvolvimento de circuitos integrados de aplicação específica (ASIC’s), orientado para o mercado nacional.
No lançamento da empresa e nos seus primeiros anos de vida revelou-se fundamental o espírito de equipa dos promotores individuais, a ligação ao mundo académico e de investigação, e o apoio da incubadora e capital semente (a AITEC).

A dinâmica do mercado
A economia nacional, nomeadamente a indústria eléctrica e electrónica, iniciou pouco tempo depois da criação da empresa um ciclo de forte recessão. Conscientes deste facto os promotores recorreram ao PEDIP II e investiram no sistema XTraN, o núcleo de futuros sistemas de localização, navegação e gestão de meios, pessoas e ocorrências que são hoje o centro do negócio da empresa.
A empresa tem participado desde a sua criação e de forma regular em projectos nacionais e internacionais de I&D e, através deles, tem renovado produtos e processos produtivos, bem como tem incorporado novas tecnologias e métodos de trabalho e complementando a formação dos seus colaboradores.

A mudança como cultura de evolução
Perspectivando a evolução a vários níveis (pessoas, volume de negócios, mercados, accionistas...) a empresa passou a ter o estatuto de sociedade anónima em 1993, altura em que também aumentou o seu capital social e recompôs a estrutura accionista.

É de realçar no percurso da empresa a mudança de instalações para o TagusPark. Porém, se é verdade que o espaço foi acolhedor e a mudança do centro da cidade para um parque se revelou importante para a qualidade de vida dos colaboradores, a empresa não teve ainda o retorno das apostas que efectuou. De facto: a implantação do pólo do IST no TagusPark tardou e só em 2001 começaram alguns cursos; o INESC só em 2005 iniciou a sua mudança para o TagusPark; as infra-estruturas de apoio tardaram em florescer (de restaurantes a transportes, passando pelas vias de acesso, decorreram anos até que as condições melhorassem, sendo que a saída do parque continua ainda hoje muito congestionada), e os serviços básicos de relacionamento com o Estado estão distantes.

Estas dificuldades não impediram a empresa de manter o espírito inovador. Perdendo a proximidade física com os Centros de Saber no pós-mudança para o TagusPark, manteve os laços através de contratos de parceria em I&D. Através deles foi continuamente renovando os seus produtos, criando novas soluções e formando e adquirindo novos colaboradores e novas tecnologias. A empresa está consciente que estas ligações estão no cerne do seu sucesso de longevidade e implantação no mercado.

O futuro
O principal objectivo actual da empresa é a internacionalização das suas soluções, continuando a utilizar o mercado nacional como plataforma de lançamento e validação de conceitos de gestão tecnológica de negócios e de soluções. Para isso a empresa tem criado e mantido laços de negócio com parceiros e distribuidores em quatro continentes.
Ser PME Inovadora em Portugal significa apostar na inovação nacional e nos recursos humanos, abraçar uma política contínua de parceria, “networking”, observatório e transferência de tecnologia das universidades e centros de saber. Só com estes ingredientes e outros afins é possível a afirmação (nacional e internacional), a realização de planos de negócio, a diversificação e o crescimento.

Cabe aqui uma palavra de apreço à COTEC pela sua iniciativa de criar uma Rede de PME’s Inovadoras. Consideramos ser este um meio importante de dinamizar os agentes económicos, interna e externamente. Assim o queiram as empresas.

Imagem cadernos economia