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Gerir em Tempo Real
Ecopontos controlados à distância

Artigo publicado no Jornal Agua & Ambiente - Julho 2002


Garantir uma gestão eficaz e a optimização dos recursos materiais e humanos na recolha dos resíduos sólidos urbanos é o principal objectivo do Ecogest e do XTraN, dois sistemas de telegestão que apoiam a reciclagem.


ImagemCom o objectivo de optimizar a gestão dos resíduos, garantindo a satisfação dos munícipes e das entidades, a Tecmic – Tecnologias de Microelectrónica, SA. Desenvolveu os sistemas Ecogest – monitorização remota de ecopontos - e XTraN – gestão de frotas. Soluções tecnológicas que possibilitam levar ao interior da empresa, em tempo real e de forma automática, a actividade económica situada no exterior. «Estes instrumentos são a solução para a carência de informação na tomada de decisões», afirma José Maria Moniz, administrador delegado da Tecmic.
O Ecogest permite optimizar a recolha de resíduos ao «mostrar» o uso dos ecopontos, detectando, por exemplo, o enchimento e informando o centro de controlo. «Planear a disposição e quantidade de ecopontos e conhecer melhor o comportamento, sempre díspar, da população, são outras vantagens do sistema», explica o responsável da Tecmic. Com estes sistema é possível fazer um planeamento efectivo dos serviços, evitando a saturação dos ecopontos.
Os ecopontos "falam" através de uma caixa electrónica instalada em qualquer recipiente fechado, que detecta o enchimento e transmite, automaticamente, ao centro de controlo o sinal de que é necessário recolher o lixo. Esta unidade inteligente não faz comunicações desnecessárias – só quando o Ecoponto atinge o ponto de saturação, e é configurável, adaptando-se à capacidade de cada contentor e às necessidades do gestor.
«Com este sistema é possível reduzir os custos associados à recolha de resíduos, já que não há viagens perdidas nem quilómetros inúteis, porque os destinos são definidos, maximizando os recursos materiais e humanos», salienta José Maria Moniz.
O Ecogest pode funcionar integrado com o XTraN – gestão de frotas -, permitindo a optimização da informação proveniente dos ecopontos e a actividade de recolha. Este último está preparado para a recolha de lixo e é capaz de gerir todos os veículos, através de um serviço de registo permanente. Com a integração do XTraN e fazendo passar a informação de um lado para outro é possível gerir a frota a partir de um único centro de controlo.

Sistemas complementares
Tal como o Ecogest, também o XTraN permite gerir informação, optimizar recurso e reduzir custos, além de possibilitar o planeamento e a supervisão da frota de veículos, através das informações recebidas das viaturas. Com elevada capacidade de armazenamento da informação, a unidade móvel XTraN instalada nos veículos assegura o registo dos dados de funcionamento: contentores de lixos domésticos, descarregados e serviços efectuados por cada viatura. O modulo de comunicações garante a fiabilidade no fluxo de informações, dando prioridade aos envios mais urgentes, optimizando o tempo das tarefas e procurando o menor custo. A informação armazenada é enviada ao centro de controlo periodicamente ou a pedido do gestor, da forma e no momento mais conveniente.
O recurso aos sistemas de informação geográfica, permite lançar no XTraN todos os locais de recolha, ecopontos, ecocentros, estações de triagem e tratamento, para garantir a optimização dos circuitos a realizar. Por exemplo, na recolha dos monstros domésticos, o sistema de circuito predefinido, realizando só os quilómetros necessários para efectuar as recolhas. Actualmente, a Associação de Municípios do Vale do Ave (Amave), nomeadamente as Câmaras de Guimarães, Famalicão, Fafe e Vieira do Minho adquiriu estes sistemas.
De acordo com Paulo Santos, director de área de negócio da Tecmic, além dos municípios, há outras entidades públicas interessadas neste tipo de sistemas. «Tudo depende de uma decisão política e da evolução do mercado. Mas as entidades com responsabilidade nos resultados a apresentar a União Europeia em termos de volume de reciclagem têm consciência da necessidade de recorrer a novas tecnologias, sem disparar os custos de forma incontrolada », adverte.
Sofia Matos