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Gestão de Frotas
Informação em tempo real

Artigo publicado na Revista Logística Moderna Nº 1 - Maio 2002


Quando a primeira versão do XTraN foi lançada, estávamos em 1993/94, começou pela simples localização de viaturas, a tecnologia de ponta na altura. Os sistemas foram evoluindo, a par e passo com a corrida tecnológica, e hoje, mais do que um sistema de localização, são poderosas ferramentas de gestão da própria empresa.


Na verdade, os novos sistemas embarcados de gestão de frotas são verdadeiros sistemas integrados de gestão, que resultam das necessidades entretanto evidenciadas pelos transportadores, e que podem colocar-lhes na mão um manancial de informações preciosas.
"Os transportadores começaram por informatizar os sistemas da empresa, mas depois no conseguiam controlar o seu "core business", os camiões que andam na estrada", afirma José Maria Moniz, administrador delegado da Tecmic, acrescentando que "a chave para os transportadores, é saber aproveitar as vantagens das novas tecnologias para controlar toda a informação seu favor – as vendas dos produtores, todas as informações sobre as compras dos retalhistas e consumidores, os modos de pagamento, a procura, e claro está, as necessidades de distribuição física dos bens".
"Mas em que consiste afinal este tipo de sistema?, é a pergunta que se impões. O XTraN é constituído por um sistema informático central que está interligado aos sistemas de "Back officce" para proporcionar solidez de informação, quer no sentido descendente, quer ascendente e em cada viatura por um sistema informático embarcado que permite à empresa gerir toda a actividade. E o nosso interlocutor esclarece que "o computador embarcado em cada viatura é concebido para que o motorista possa receber do centro de comando, através de uma consola, todos os dados para desenvolver o seu trabalho. Em simultâneo, a empresa consegue acompanhar todos os movimentos do condutor, ajudá-lo quando ele precisa de mais alguma informação e, por fim, mas não menos importante, consegue saber na hora o resultado dessa actividade".
Centralmente há um programa de gestão que consegue "falar" com todas as suas unidades, sejam elas 500, 800 ou 1000. Por outro lado, o sistema embarcado que consegue utilizar meios de comunicação (satélite, Tetra ou GSM), é um computador robusto, mas mais simples que um PC: "quem vai num camião tem é que conduzir e trabalhar e por isso, todo o interface homem/máquina é facilitado e está adaptado aos contextos", diz José Maria Moniz.

Saber mais para gerir melhor
"No fundo – acrescenta -, o XTraN consegue estender o sistema de informação da empresa para fora desta, até as viaturas que estão na estrada". Assim é fácil gerir o negócio, afirma José Maria Moniz, "consigo perceber onde é que há desvio de custos, se em determinado camião, se com certo condutor, se é sempre com o mesmo cliente, se é em determinada linha, se é em determinado país, consigo perceber as razões e, por isso consigo ter ideias para melhorar o meu negócio".
Com os novos sistemas de gestão de frotas, o transportador, se aproveitar a informação disponibilizada, conseguirá melhor gerir os recursos da sua empresa, controlando cerca de 80% da sua estrutura de custos (transporte e pessoal), implementar acções de personalização e dedicação ao cliente, aproveitar informação sobre os clientes (tipo de entrega, modos de pagamento, hábitos), integrar toda a informação sobre os veículos, condutores, viagens e clientes com os sistemas internos da empresa, integrar a informação da própria empresa na cadeia de valor e, acima de tudo, aumentar a eficiência.
A aplicação deste conceito de gestão de frotas é vasta. Em Portugal, a Tecmic tem vindo a desenvolvê-lo a vários níveis, "trabalhando em conjunto com empresas como a Carris na gestão do transporte de passageiros, o Grupo Luís Simões no transporte de mercadorias, o Banco de Portugal no transporte de valores ou com os Correios de Portugal no transporte de correio", conclui o nosso interlocutor.